Briguei com metade dos professores, a outra metade eu apenas detestava de todo coração. Não, houve uma exceção. João, professor de História. Um cara na dele, não levantava a voz, um tanto tímido. Isso numa primeira impressão apressada. Revelou-se, além de bom professor, um cara interessado no mundo, inteligente, cheio de histórias para contar, sempre vendo um pouco mais além, uma gota de sensatez num mar de mediocridade. Muitos colegas ficavam conversando com ele muito depois da aula. Não era pra menos, seus ensinamentos não se encerravam na porta da sala de aula.
Saindo do colégio, acabei topando com ele algumas poucas vezes. Continuava o mesmo falador calmo, e ouvinte interessado. Soube que ele fora eleito duas vezes seguidas diretor do colégio. Quando passava ali na frente, às vezes imaginava parar e conversar com ele de novo, por que não?
Foi estranho ver a foto dele no jornal hoje na seção “Obituário”.













